Resenha: O perfume da folha de chá - Dinah Jefferies - Leituras da Mary

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Resenha: O perfume da folha de chá - Dinah Jefferies


Ambientado em 1925, o livro conta a história de Gwen, uma jovem recém casada e apaixonada que está em um navio indo de encontro a seu marido, Laurence, no ceilão, onde tem uma fazenda voltada para a plantação chá.
Ainda no navio, Gwen conhece Savi, um homem gentil que lhe faz companhia enquanto espera pela chegada de seu marido e que, de certa forma, lhe deixa intrigada. 
A vida no Ceilão é mais monótona do que Gwen está acostumada, mas ela tenta se adequar ao máximo a vida de dona de casa e provar a Laurence que ele fez a escolha certa casando-se com ela. Porém Laurence, sempre carinhoso e gentil com sua esposa, mostra um comportamento diferente ao leva-la para morar em sua fazenda; distante e pensativo, ele aparenta estar preocupado com algo que foge do conhecimento de todos.
Alheia aos conflitos internos de seu marido, Gwen segue com sua nova vida enquanto tenta entender as contas da casa que, por algum motivo, nunca batem, e se integrando ao convívio social assim como as outras mulheres de outros colhedores de chá. Aos poucos, ela percebe que precisa escolher a dedo aqueles em quem deve depositar confiança, e aqueles que deve sempre se manter de olhos abertos.
Como se a relação entre Gwen e Laurence não estivesse distante o bastante, a chegada de Verity, irmã caçula de Laurence e incrivelmente irritante, trouxe um clima ainda mais tenso para a fazenda.
Gwen consegue controlar a situação em sua nova casa, e seu casamento parece estar bem, até que em uma noite regada a álcool e com poucas lembranças deixam a jovem confusa e com medo, fazendo-a temer até mesmo sua própria sombra. 
Um livro tenso, cheio de suspense e surpresas capazes de prender o leitor até a última página e instiga-lo a criar suas próprias teorias.


Minha opinião:


Sabe aquela sensação de perda, de não completitude e de completo vazio que costumamos sentir quando estamos longe da pessoa amada? Pois bem, é exatamente assim que me sinto, mas a única diferença é que esse sentimento foi causado pelo término de um livro.
Demorei exatamente uma semana para ler este livro. Não por falta de vontade ou de tempo, mas por medo do que viria a encontrar nas próximas páginas. O que inicialmente parecia ser um romance histórico entre pessoas de mundos diferentes, se tornou um dos maiores suspenses que já li! A tensão entre os personagens, a desconfiança que senti a cada página e o medo do que viesse a acontecer a Gwen, fizeram com que eu estagnasse cada capítulo e me preparasse para eventuais surpresas.
Durante a leitura, mais especificamente no meio do livro, comecei a criar milhares de teorias sobre os mistérios do livro, e confesso que fiquei satisfeita quando descobri que estava certa em algumas.
O livro também trata de questões sociais e trabalhistas, e mostram de perto como os colhedores de chá e outros trabalhadores rurais viviam naquela época (1925). A autora soube descrever bem a tensão que existia entre os proprietários de terras e os trabalhadores, que em sua maioria viviam em condições precárias.
A escrita da autora é gostosa de se ler, e Dinah sabe usa-las em prol do suspense. 
Uma das características que preciso citar aqui foram os cuidados com a capa do livro. Mantendo a imagem de capa original a versão estrangeira, e com o título em alto relevo, a Companhia das Letras merece uma salva de palmas por toda a dedicação em manter o livro o mais atrativo o possível para os leitores. Além da capa, a diagramação do livro está em perfeita harmonia, assim como a tradução e revisão do livro.

5 Motivos para ler o livro:

1° A escrita da autora é sensacional - ela sabe deixar o leitor inebriado com suas palavras.
2° É aquele tipo de livro que te deixa vidrado; você não consegue larga-lo até que obtenha respostas.
3° Os personagens são apaixonantes e suspeitos ao mesmo tempo, é difícil escolher um lado.
4° A autora sabe lidar com a mudança de época, e sabe a hora certa de altera-las.
5° Apesar de ter +400 páginas, a história fluide maneira que nem sequer percebemos. 

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