Resenha: A escrava e a Fera - Jéssica Macedo


Autor: Jéssica Macedo
Páginas: 145
Ano: 2018
Editora:  Amazon
Gênero: Romance de época
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Nota: 5/5 ❤
Sinopse

Brasil 1824.
Amali nunca aceitou os rumos de sua vida. Arrancada do seio de sua família, foi vendida como escrava em um país desconhecido.
Com um espírito livre e questionador, resiste às imposições e injustiças, sofrendo as amarguras de uma luta silenciada pela opressão e violência.

Colocando em cheque a vida de um recluso barão do interior de Minas Gerais, que havia perdido mais do que se julgava capaz de suportar, Amali mostra toda a sua força, conquistando a própria alforria e lutando pela liberdade dos demais.

Olá leitores, tudo bem?
Acho que vocês já devem estar sabendo da polêmica que envolveu o livro "A escrava e a Fera" da autora Jéssica Macedo. Pois é, o livro nem foi lançado ainda, está em pré-venda e será lançado na Amazon no dia 01/03/2018.
Entretanto, antes mesmo do livro ser lido já estava sendo julgado nas redes sociais. Foram muitos que acusaram a autora de racismo, romantização da escravidão,  romantizar relacionamento abusivo e estupro. 
Primeiramente, antes mesmo de falar a minha opinião eu gostaria de dizer para as pessoas lerem o livro antes de falar o que não sabe. Se ler e continuar tendo essa opinião tudo bem, o direito é seus, mas não difame o que não conhece.
Agora, eu como leitora de Romance de época que sou vou contar para vocês sobre o que o livro trata e trazer a MINHA opinião sobre a história.
A escrava e a fera é ambientado em uma fazenda de açúcar em Minas Gerais no ano de 1824. É  um romance de época e como tal, se propõe a trazer uma narrativa baseada nesse período histórico brasileiro, no qual a escravidão era a responsável pela economia do país. 
Quem conhece o gênero Romance de época sabe que o foco principal não é abordar fielmente o período histórico, mas sim o romance tendo como plano de fundo os acontecimentos daquele período. 
No caso desse livro o objetivo é o romance entre as personagens e mostrar um pouco do contexto histórico em que ocorre.
Fernando era um Barão do açúcar, assim eram chamados os homens poderosos e influentes agricultores da época. E como todos os senhores de terras tanto do período colonial quanto imperial, tinham como mão de obra o braço escravo. Isso era a coisa mais normal no mundo antigo, quanto é normal para nós atualmente trabalharmos em troca de salário (na maioria das vezes uma miséria que mal dá para viver dignamente). 
"Nova Esperança, assim como várias outras fazendas da região de Minas Gerais, beneficiavam-se muito do auge do ciclo da cana-de-açúcar que foi o principal meio de renda do Brasil colônia e ainda prosperava durante os primeiros anos do império."
Assim como era perfeitamente corriqueiro tratar os escravos como animais, como  uma equipamento que se compra em uma feira ou mercado. Não estou dizendo que isso é certo, longe disso! Mas infelizmente era isso que acontecia.
É nesse contexto que se inicia a história desse livro. 
Amali foi tirada da sua família e de seu povo na África, trazida para o Brasil em um navio negreiro, sofrendo com a perda das pessoas que amou, passando fome, sede, frio, em um insalubre porão de  navio, exposta a todo tipo de doenças.
Quando chegou ao Brasil, uma terra estranha e sem entender o idioma desse povo totalmente diferente de tudo o que ela conheceu na África. Foi comprada e levada para a fazenda de Fernando, não para trabalhar na lavoura como os outros escravos, mas para ajudar no serviço doméstico.
Ela não era igual aos demais escravos que viviam ali, que já estavam conformados com aquela vida e tratavam de fazer tudo que o Barão ou o Capataz mandava. Ela não aceitava esse tipo de vida tão destoante da que vivia com o seu povo.
 Assim que aprendeu a nossa língua  ela começou a confrontar o Barão e suas atitudes para com os escravos. Fernando não estava habituado a receber esse tipo de crítica de algum negro, com certeza mandou castigá-la, castigos leves, muito diferentes dos castigos reais que os negros sofriam quando ousavam desobedecer aos seus senhores.
Fernando era um homem amargo, principalmente depois que perdeu a esposa em circunstâncias trágicas. Na noite em que perdeu sua amada ele também ficou com o rosto e as mãos desfiguradas e por isso se achava uma fera, indigno de amar novamente. Seu coração amargado pela dor castigava todos à sua volta, principalmente os escravos.
"O barão nunca fora um homem muito amável nem quando era criança, mas depois daquela terrível noite, o coração que era apenas esnobe ficou amargo."
Não vou dizer que o Fernando é um modelo de perfeição, ele é sim egoísta e as vezes maldoso com os escravos, reforçando o esteriótipo de senhor de escravos. Mas eu entendo que o sofrimento dele se refletia como ruindade para com os serviçais.
Antes da morte da primeira esposa o Barão era diferente, tratava melhor as pessoas, pois sua mulher, uma Francesa, não via com bons olhos a escravidão no Brasil. Ele até cogitou a possibilidade de conceder a liberdade aos negros, mas com a morte de Cloé tudo mudou.
"Ele engoliu em seco. Sim, a situação dos escravos às vezes o incomodava, talvez pelo frequente questionamento de Cloé, uma ávida defensora da liberdade, ou apenas por seu próprio senso de justiça. Todavia jamais moveu uma palha para mudar o sistema, apenas continuava seguindo o fluxo."
Mas com a chegada de Amali com sua personalidade forte, doçura e beleza, a pedra de gelo que existia no lugar do coração de Fernando começou a se derreter. Aos poucos ele foi se apaixonando por ela e ela por ele, mas ao contrário do que estão dizendo foi um amor puro, sem a forte conotação sexual que vejo na maioria dos romances de época que leio.
Esse romance é uma releitura de A bela e a fera, podemos ver muito bem os elementos do conto de fadas nesse livro. Mas a história é totalmente original, um conto de fadas à brasileira.
A meu ver em nenhum momento o livro romantiza a escravidão, muito pelo  contrário, critica a escravidão e mostra que existiam outras alternativas além da servidão. Aborda de maneira muito bem construída as questões politicas do Brasil império naquele período, um dos pontos que me conquistou completamente na leitura.
Se as pessoas enxergam como romantização da escravidão o amor entre uma pessoa branca e outra negra, ACREDITO que o preconceito está nos olhos de quem leu, ou melhor não leu. 
Outro ponto que também sinto a necessidade de rebater é a "romantização do abuso e estupro" quem afirmou isso certamente não leu esse livro e não conhece romance de época. O livro é puro e casto, mostra a delicadeza dos sentimentos e do amor entre duas pessoas socialmente distintas, tudo conduzido com muita delicadeza. E na minha opinião a escolha de não colocar muita sensualidade no livro foi perfeitamente sábia, porque se ele fosse sensual, como a maioria dos romances de época que lemos, seria ainda mais criticado.
Esse livro está perfeito, muito bem ambiento, personagens muito cativantes e ao meu ver não há motivos para essa crítica severa. Mas sei que não sou negra, mas sou quase kkk e o meu intuito não é ofender ninguém nem bater de frente com as opiniões, mas sim dizer o quanto gostei desse livro, o quanto ele foi muito bem ambientado, o quanto é perfeitamente aceitável por mim um romance entre uma escrava e um homem branco e que isso não me afronta de maneira alguma.
Bato palmas para a Jessica Macedo, para a Marina Carvalho e outras autoras de romance de época que ousaram dar vida a uma personagem negra e escrito romances sobre a escravidão brasileira, uma mancha no nosso passado, mas também parte da nossa cultura e o que somos.
Esse livro acima de tudo é uma história de superação, aceitação, redenção e amor. Recomendo muito a leitura.


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5 comentários:

  1. Um livro em que duas pessoas supostamente se amam, mas uma delas sequer é considerado ser humano, não pode ser chamado de romance. Não li e não lerei esse livro, já da sinopse (e da sua resenha) vejo o que esperar. Parabéns pela coragem em ler e trazer sua opinião aos leitores.

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    1. Ainda assim eu recomendo que leia, pode ser que a sua opinião não mude, mas ao menos saberá do que se trata. Por muito séculos a mulher também não era reconhecida e nem tinha os mesmo direitos "humanos" que os homens e nem por isso os romances históricos e de época ente um homem e uma mulher são uma afronta. Os brancos daquela época não enxergavam o negro como igual, um ser humano, mas Fernando não pensava assim. Talvez o único erro dele foi seguir o sistema e assim como todos os outros brasileiros se beneficiar da mão de obra negra escrava. Mas cada um tem sua opinião, só recomendo que leia para ter argumentos para dizer que não gostou.
      Obrigada por comentar.

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  2. Acabo de ler para resenhar também. Gostei se olhar pelo lado de um romance de época, não gostei se for considerar romance histórico. Em nenhum momento o Fernando tratou a Bela como algo não humano, como o comentário acima cita. Não entendo quem não lê e fala mal, mas tá valendo.
    Acredito que saiu bafafá demais para pouco problema. Só isso.

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    1. Verdade, ele é um romance de época sem compromisso com a realidade, focado no romance e um pouco com a questão histórica. Também não achei que ele tratou a bela ou qualquer outro escravo como algo não humano, ao contrário ele se importava com os escravos, nem sequer tinha o olhar da maioria das pessoas da época, como a irmã dele por exemplo, ele deu vários coices na irmã por tratar os escravos como objeto. Concordo, muito barulho para pouco, principalmente porque tem vários outros livros, filmes e novelas e abordam isso de forma parecida. Mas digo e repito para quem está criticando e não leu, tem que ler para depois reclamar se for o caso.

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  3. As pessoas parecem que vivem em um conto de fadas, até na época da minha vó o máximo q poderia era dar as mãos, até hoje se uma mulher traí e discriminada e na maioria por sua própria classe. Até parece q as pessoas n estudaram história ou n sabem como era a vida de uma mulher do século passado. Até hoje lutamos por nossos direitos e q muitos ainda n são utilizados.poisvou ler sim e espero ele físico pra comprar. Vamos nos ater aos fatos históricos n o q realmente queremos na vida real.

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