Resenha dupla: O amor nem sempre tem o mesmo CEP e Espevitada


Nome do livro: Espevitada

Autora: Noélia Ribeiro
Editora: Penalux
Ano: 2017
Páginas: 106
Nota Skoob: 4/5
Sinopse: 
 Como o título denuncia, “Espevitada” é o olhar alegre e brincalhão de uma autora que sabe balancear o lírico, com toda a sensibilidade que demanda a poesia, mas ao mesmo tempo, não deseja afundar-se no transbordamento dos sentimentalismos, mas sim, olhar com humor a tragicomédia da vida. Noélia Ribeiro faz uso da sensualidade em um culto a “Eros” realizado pela utilização de palavras que exploram os acentos sexuais, passionais, do corpo, do amor, das paixões, do sexo. A autora faz do amor o material dos seus versos, mas não apenas do amor dos amantes, porém, também, o da contemplação da vida, mesmo com todos os seus percalços. Na poesia da obra existem as vozes sociais num relembrar das feridas abertas no peito diante das atrocidades do homem, como em sua poesia “Guernica”, e também, um lamentar pelo tempo que passa levando consigo a inocência das crianças, que já adultas não são poupadas do conhecimento das mazelas dos homens e de toda devastação causada pela ganância. A autora que deseja ser entendida, escreve sem erudição e fala sobre a paixão e o sexo no mesmo nível de estarrecimento sentido na luxúria do envolvimento de dois amantes, tornando assim, sua poesia uma ponte entre o leitor e a autora, que juntos acendem-se vivos e espevitados no relacionamento com as palavras.
Em Espevitada, a escritora Noélia Ribeiro nos mostra mais de sessenta poesias, cheias de lirismo.

Em sua maioria, ela mostra muito erotismo e sexualidade, demonstrando o quanto o momento a dois pode ser quente, intenso e como uma pessoa pode conhecer e reconhecer bem cada parte do corpo do parceiro. Em outro momento, fala de relações sexuais de forma mais romântica e menos carnal.
Além disso, ela fala sobre saudade, a infância e algumas experiências deste tempo, fala da vida em sociedade utiliza humor e ironia, drama e amargura, natureza e dor.
A poesia que mais chamou a minha atenção foi ASTRONAUTA, que Noélia dedicou ao pai e a meu ver fala sobre a morte, sobre uma pessoa nunca mais voltar.
Sobre a estética do livro, posso dizer que esta capa é linda. Além de o livro ser em tamanho menor, o que dá um charme especial, a capa é roxa, com algumas pernas femininas desenhadas e o título em cor amarela. As folhas são amareladas e a fonte é boa.



Nome do livro: O amor nem sempre tem o mesmo CEP
Autora: Valéria Tarelho
Editora: Penalux
Ano: 2016
Páginas: 100
Nota Skoob: 4/5
Sinopse:
Falar sobre o amor chega a ser tarefa intransponível, parece que a essência da compreensão só pode fazer-se na cabeça, perdendo força e precisão para a formulação concreta dos sentimentos por meio das palavras. Valéria Tarelho, no entanto, consegue com poemas simples transmitir a complexidade deste sentimento. O próprio título “O amor nem sempre tem o mesmo CEP” sintetiza bem as ambiguidades e contradições que envolvem este nobre sentimento de amar. Valéria cria jogos de palavras, utiliza recursos gráficos, como parênteses para pluralizar as palavras sem, no entanto, se perder do seu objetivo final: direcionar o poema à sublimidade de seu raciocínio etéreo. No seu poema “Eu te contemplo [ há tempos ] “ o próprio título dá uma amostra da brincadeira com as contradições que a poeta faz, como se as palavras se escondesse por detrás de ocultamentos gráficos, para vendar aquilo que realmente é vontade da autora. Toda a estrutura deste poema é sobre a razão que batalha contra os instintos, que não podem ser suprimidos por sua inteligência, pois representam a força pulsante do amor, difícil e impossível de ser controlada. “O amor nem sempre tem o mesmo CEP” é um convite a explorar o amor por meio das palavras, e não apenas no nível da compreensão intelectual, mas sim, sentir o amor em cada pensamento desenvolvido, porque o jogo do ritmo, a astúcia do emprego das palavras despertam as emoções. Se os sentimentos trazem as palavras, na leitura, é a palavra que traz o sentimento, de forma a ressaltar a ambiguidade e a duplicidade do próprio amor.
Acredito que ao ler um livro de poesias, cada um é capaz de interpretar de maneiras diferentes o que está escrito. A poesia é capaz de abrir horizontes.

O ponto principal de partida das poesias deste livro é o amor e deixo aqui minhas impressões destas mais de cinquenta poesias de Valéria Tarelho.
Usando dos mais variados tipos de linguagem, a autora descreve o amor como algo louco, que apesar de simples pode nos fazer bem ou machucar. Quando amamos corremos riscos e deixamos os limites de lado.
O amor pode ser o problema, mas também a solução, ele une, preenche, se encaixa, nos atinge mas também nos salva. O amor tem vários jeitos e formas e traz novos sentidos. Pode ser egoísta e causar estragos, também pode ser correspondido ou não. É o olho no olho, a energia ou a falta dela. Às vezes faz parte das nossas fantasias, é apenas um sonho e é platônico, mas no final das contas, sempre vale a pena.
Sobre a estética do livro, é bastante agradável, com vários desenhos. As páginas são amareladas e a fonte é boa.
Se você gosta de poesias, este é um bom livro.




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