Resenha Nacional: Aquela noite em Auschwitz - Jamila Mafra

Autor: Jamila Mafra
Páginas: 170
Ano: 2017
Editora:  Nova Cultural
Gênero: Romance histórico/ de época
Adicione: Skoob Aqui
Onde Comprar: Loja Multifoco
Nota: 8,5
**Livro enviado pela editora para resenha.
Sinopse
Lindie Brückner, filha do respeitado general Klaus Brückner, vê de perto as maldades praticadas pelos líderes nazistas do Terceiro Reich. No auge da Segunda Guerra Mundial, aquela garota linda, interessante e membro da juventude hitlerista, tem seu coração divido entre dois amores. Um deles é Joseph Kaiser, fiel soldado berlinense, muito apaixonado por ela, o outro é Steve Heinrich, professor de História da Filosofia Grega na Universidade de Berlim, intelectual dedicado ao trabalho, que também foi conquistado pela beleza e inteligência da jovem.
Entre conflitos amorosos e ameaças de bombardeios, diante de todos, Lindie sempre corajosa declara sua crença e fidelidade aos ideais do nazismo, mas ocultamente cultiva toda a sua aversão e repugnância a um dos regimes mais cruéis e absurdos de toda a história da humanidade. Aquela Noite Em Auschwitz será a mais marcante e inesquecível para ela. Nada apagará de sua memória tudo que viu e viveu ali. No fim de todas as coisas, fica a certeza de que em toda injusta guerra não há vencedores, todos perdem: a vida, a honra, a paz, o futuro.


Livros que se passam entre guerras são sempre emocionantes, faz a gente pensar em toda a crueldade e o caos que o ser humano pode criar, nos dá também certo alívio em pensar que vivemos em uma época “pacífica”, ou ao menos pensamos que vivemos.
Em “Aquela noite em Auschwitz” nós vamos vivenciar um pouco a experiência do horror vivido pelos judeus, negros e outros povos considerados indignos pela raça ariana.
Como vocês já devem ter percebido pelo titulo esse romance vai abordar um pouco sobre a Alemanha nazista de Hitler. Uma excelente oportunidade para a gente conhecer e refletir sobre todas as atrocidades cometidas por um homem sedento de poder e uma nação louca.
A Lindie, protagonista dessa história, é filha de um importante General Alemão do partido Nazista. Então, ela cresceu em uma família e sociedade que pregava a hegemonia da raça ariana, que os Alemães eram superiores a todos os outros povos.
Ela, inclusive, fez parte da juventude hitlerista e aprendeu que tudo que estava sendo feito era para o bem da nação. Porém, quando a coisa realmente explode ela começa enxergar a realidade de tudo o que estava acontecendo.
Hitler era um homem louco e sedento de poder, muito diferente da figura que a sociedade alemã acreditava que ele representava, estava tentando purificar a nação, eliminando tudo que considerava ruim, isso incluía pessoas, muitas delas.
Quando Lindie abriu os olhos para tudo isso, também surgiu nela a necessidade de fazer alguma coisa, protestar contra tudo o que estava acontecendo. Mas como filha de militar, sendo também uma mulher, estava de mãos atadas diante de toda a carnificina.
O romance ocupa o segundo plano da narrativa, inicialmente o namorado de Lindie é um soldado que está com os ideais nazistas já fixos como regras na sua vida. Mas o relacionamento acaba esfriando um pouco depois que Lindie acorda para o que esta acontecendo com a Alemanha.
O Joseph, namorado dela, é um rapaz romântico que a ama de verdade, mas o tempo mostra para Lindie que isso é pouco, pois ela queria alguém que partilhasse os mesmos ideais que ela.
A chegada de um professor nessa trama acaba mexendo ainda mais  com a mente da garota, ela acaba se sentindo muito mais envolvida por ele do que pelo próprio namorado, com quem ela já tinha um relacionamento duradouro de anos.
Lindie é uma menina bastante forte para sua idade, tinha apenas 15 anos, mas também é uma garota cheia de indecisões, um tanto quanto mimada e imatura, mas é claro que ela seria assim, a final era só uma menina.
Em alguns aspectos da sua vida ela sabe muito bem o que quer e está disposta a lutar por isso, mas em outros ela segue seus instintos, que nem sempre a conduz pelo melhor caminho.
É uma personagem que vai sofrer um pouco com as indecisões da vida, com as escolhas “erradas”, mas também vai aprender muito com os próprios erros.

A Escrita da Jamila Mafra é bem envolvente, a autora nos dá um banho de história Alemã, nos coloca em situações muito sofridas que faz a gente refletir sobre o passado e pensar em como podemos melhorar o futuro.
O livro é bem rapidinho de ler, são poucas páginas, eu queria realmente que tivessem mais paginas e que a autora aprofundasse ainda mais nos personagens, nos seus perfis, assim como fez com os aspectos do nazismo. Senti a falta de um pouco mais de profundidade nos personagens.
Entretanto, foi uma leitura muito prazerosa e gratificante, me senti realmente envolvida com os dramas vividos pelos judeus e pelo povo perseguido. Refleti muito sobre os acontecimentos históricos passados, em como uma pessoa pode influenciar tanto as outras a ponto delas se tornarem cegas e não perceber todo o mal que causavam.
Recomendo muito a leitura desse livro para todos, é uma ótima oportunidade para conhecer um pouco mais sobre o Nazismo e refletir sobre os rumos políticos que o Brasil vem tomando nos últimos tempos. A final, temos que prestar muita atenção em quem elegemos para que o Brasil não seja comandado por um governante louco, cego e sedento de poder como Hitler.

Alguns Quotes

Qualquer semelhança com os rumos da política brasileira é mera coincidência...

“Foi no dia 2 de agosto de 1934, que Adolf Hitler tornou-se o presidente da Alemanha, porém não pelo voto do povo, não pela vontade da maioria, e sim por um golpe do destino, por meio de ardis políticos que levaram aquele homem, um simples ex-cabo do exército alemão, um ex-aspirante a pintor de quadros, ao poder.”
“Junto a toda essa política de extermínio e segregação racial, havia ainda o plano de esterilização em massa de todos os homens e mulheres com deficiência mental ou qualquer deficiência considerada pelos nazistas como uma ameaça à perfeição das espécies. Segundo a ideologia nazista essas pessoas não deveriam se reproduzir, para que o mundo não fosse mais contaminado pela imperfeição.”
Orador magnífico que era e muito astucioso, Hitler atraía sempre um grande número de seguidores que ansiavam por mudanças no país. Não à toa convenceu a maior parte da população alemã de que tudo que estava acontecendo era pura e simplesmente em beneficio de todos. De acordo com a ideologia nazista, a guerra, as bombas, o extermínio de inocentes, representavam a vitória e a supremacia do Estado Alemão.” 
 

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